Missa para Kardec

Não façam pelo amor de Jesus!
Clamava, cambaleante, a engomadeira clamava que não suspendessem o caixão com a Muda.
O dia mais triste do mundo e o doutor Belly consolou: falou de uma rosa jogada, que existiu um beijo no tampo.
Um violento e pobre caixão de verniz.
O caixão dela.
Ah, a rosa! Ah, o tempo de seus lábios quentes na tábua!
Abram a janelinha! Abram a janelinha de novo.
Ah, esta mulher à beira da cova.
Seu estremecimento terrível, seu desumano urro maior: disse, filha!, a Vicenzia.
Momento para uma mãe.
Dói ver. Dói, partilhar.
Tirem daqui esta mãe que sofre em público, não façam isso com ela, tratem de esconder.
Carreguem para uma outra cama, alta, mais espaçosa, arranquem essa Salami daqui da saída!
Mãe querida! O teu aceno é o aceno de Deus.
Adeus entristecido, a meiguice do teu olhar acenando para o corpo que levam.
Que face a tua, querida mãe, a ficar nesta terrível solidão.
Machuca a planta de teus pés o cascalho. Nem sentes.
É a vida que é: ela separa, afasta os que se amam no mais puro e sincero amor.
Mãe, querida!
Não acenes.
Saia da porta, deixa que ela parta sem ver este último instante que você fez questão de acompanhar.
O teu aceno querido, ó mãe, e o remoer de teus dentes nesta emoção, esta saudade já sentida quando ainda vê o corpo mudo e amado partir.
Ah, o olhar de uma mãe para o caixão de Eselita que parte nos braços dos outros.